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23 de fevereiro de 2022 Turquia financia construção de casas para refugiados no norte da Síria
A ONG turca Humanitaire Relief Foundation (IHH) afirma ter apoiado a construção de mais de 18.000 casas no noroeste da Síria desde 2019. A lira turca tornou-se a moeda principal e a Turquia até contribuiu para a criação de hospitais, correios e escolas que ensinam a língua turca.

Deslocados sírios em casas financiadas pela Turquia. Foto: AFP


“Quando descobri que estávamos nos mudando para uma casa, não acreditei”, diz Maryam Al-Hussein, viúva e mãe de quatro filhos, que mora em um complexo residencial financiado pela Turquia no norte da Síria, depois de passar um ano em um barraca em um campo de refugiados.


O complexo residencial, construído perto da cidade de Al-Bab, controlado pelas forças turcas e seus aliados sírios desde 2016, é o mais recente de uma série de projetos habitacionais patrocinados por Ancara.


A Turquia tenta criar uma “zona segura” ao longo de sua fronteira para impedir que sírios deslocados pela guerra cruzem a fronteira e permitir que Ancara devolva alguns dos milhões de refugiados que já estão em solo turco.


As autoridades locais e seus patrocinadores turcos apresentam a construção de moradias como uma ação humanitária para ajudar as famílias deslocadas.


A ONG turca Humanitaire Relief Foundation (IHH) afirma ter apoiado a construção de mais de 18.000 casas no noroeste da Síria desde 2019. A lira turca tornou-se a moeda principal e a Turquia até contribuiu para a criação de hospitais, correios e escolas que ensinam a língua turca.


“Mais de 50.000 pessoas se instalaram nas casas que construímos até agora”, disse à AFP o secretário-geral do IHH, Durmus Aydin. Segundo ele, 100 mil pessoas estarão alojadas até abril em 24.325 casas construídas pelo IHH.


Refúgios temporários


O último complexo residencial foi concluído este mês perto de Bizaah, 3 km a leste de Al-Bab, com o apoio da Agência de Gerenciamento de Emergências e Desastres do Governo da Turquia (AFAD), segundo autoridades locais.


Consiste em 300 unidades idênticas de concreto de um andar com grandes portas de metal e pequenas janelas laterais. Cada unidade tem dois quartos, uma cozinha e um banheiro, e está equipada com sua própria caixa d’água.


Segundo Aydin, o custo de construção de uma unidade de 40 m2 é de 2.500 dólares.


O complexo – um dos muitos projetos habitacionais semelhantes apoiados pela AFAD – também inclui uma mesquita e uma escola.


De acordo com as autoridades locais, um centro médico está em construção.


Maryam perdeu o marido em combate e foi deslocada pela guerra em 2019. Desde então, vive em campos com seus quatro filhos, seu pai e seu irmão em condições difíceis.


“No inverno, uma casa é melhor, porque a chuva não entra”, explica. “No verão fica fresco porque a pedra protege do calor, enquanto o tecido transforma as tendas num forno.”


O complexo habitacional de Bizaah foi construído em um terreno administrado por um conselho local com “total cooperação de nossos irmãos turcos”, diz Hussein Al Isale, que supervisiona o reassentamento de famílias deslocadas.


“Estas casas são abrigos temporários para nossos irmãos deslocados”, acrescenta o funcionário local. Muitas famílias deslocadas são gratas à Turquia, mas não Mohamad Haj Musa, um pai de quatro filhos de 38 anos que vive em campos desde que a guerra o obrigou a deixar sua cidade natal, Idlib, há cinco anos.


Para ele, a vida entre quatro paredes de concreto é apenas “um pouco diferente” da de uma barraca. “Estamos mentindo um para o outro”, diz ele. Porque o que “queremos (é) uma solução (permanente). Queremos ir para casa”, explica com tristeza.


Imprensa Scalabriniana com Istoé



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